Publicado: 06.12.16

Published: 12.06.16

Comunicar envolve uma troca simbiótica e simples entre o emissor da mensagem e receptor. O intuito principal sempre foi e continua sendo fazer com que o receptor entenda a mensagem do emissor. E se ele se identificar é um dos bônus mais gratificantes que existem. A comunicação amarra esses pontos e quando vemos textos diversos sobre lugares de fala, a atenção se volta, principalmente, para este substantivo: a fala. Aí a galera se empolga e esquece de ler-e-ouvir o que está sendo comunicado. Na verdade, esse termo diz sobre respeito e empatia, e não sobre opinião, como muita gente acredita. Somando essas duas palavrinhas mágicas essenciais, temos mínimo de compreensão de quem recebe de coração e cabeça abertas.

Mas como se faz isso? É possível juntar tudo num mixer? Que diferença essas palavras todas fazem?

Essa prática propõe criar uma maior conscientização coletiva junto a espaços inclusivos e justos para a expressão de pessoas tão plurais que habitam numa mesma sociedade.

Portanto, o lugar de fala não está aí para calar. Não é tirar a mão da frente de uma boca e cobrir outra, mas deixar ecoar a voz das minorias. Uma pessoa negra, por exemplo, é a somatória das experiências que essa comunidade enfrentou e ainda enfrenta. Logo, ela tem autoridade e preferência para falar sobre questões raciais.

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Parada do Orgulho LGBT 2016 – Foto: I Hate Flash

O que estamos falando nesse texto é pra quem produz conteúdo (como nós), e também pra toda e qualquer pessoa que usa rede social pra vomitar ignorância travestida de opinião. Cuidado, vocês.

Vivemos em um momento-chave, e, de certa forma, positivo, em que todas as questões sobre inclusão, empatia, respeito, identificação e comportamento na comunicação têm ganhado força. Para aqueles que já estavam acostumados com práticas tradicionais, que reproduzem discursos fóbicos, mesmo “que não tenha sido o intuito”, inserir diversidade e representatividade é pisar em ovos. Nós, sinceramente, viramos o olho quase todos os dias lendo textos, comentários e conteúdos diversos vindos de pessoas que não possuem o tato para tratar sobre essas questões. Questionem-se sempre! Simplesmente ignoramos, mas focamos em fazer a nossa parte, como indivíduos.

De qualquer forma é importante entender como a mensagem tem que ser passada: a diversidade existe e o discurso dos movimentos deve ser difundido.

Miss Brasil 2016 - Foto: Lucas Ismael/BE Emotion

Miss Brasil 2016 – Foto: Lucas Ismael/BE Emotion

O protagonismo existe e é prioridade. E temos que entender que o discurso de quem não faz parte de certo protagonismo não é dar voz, não é se passar por determinada minoria ou simplesmente determinar comportamentos alheios baseado em crenças próprias. Queremos discutir, debater, informar, ter conversas mais produtivas para compreender diversas vivências, que não as nossas. Quanto mais experiências compartilhadas e mais ângulos, maior a diversidade, e assim a igualdade elementar dá um passo adiante.

Vale lembrar e ressaltar que igualdade não é privilégio. É ter e dar o mesmo tratamento, condições, respeito, mentalidade e empatia que boa parte das pessoas têm desde que nasceram.

Renan Quinalha, em seu texto para a Revista Cult, fala da pluralidade da expressão lugares de fala: “por óbvio, nem todas as pessoas falam do mesmo lugar social e possuem as mesmas relações como as estruturas de opressão. Não se pode negar a existência de “lugar de fala”, mas precisamente se deve frisar que “lugares de fala” é expressão que se pronuncia sempre no plural.”

Ronaldo Fraga - SPFW 2016 - Foto: Nacho Doce/Reuters

Ronaldo Fraga – SPFW 2016 – Foto: Nacho Doce/Reuters

Se ainda não encontrou seu lugar nisso tudo e quer saber se é o momento e o lugar certo de abrir a boca para falar, vamos a um passo a passo esperto (que foi inspirado em um infográfico presente em dois textos que valem muito a pena serem lidos: este e este)!

Você faz parte da minoria em questão?

Se SIM, seu lugar de fala está garantido, você tem prioridade, protagonismo, e pode tratar do assunto da forma que melhor expressa suas experiências. Uma das questões que podem transformar esse local são os próprios integrantes da minoria, que reproduzem comentários discriminatórios. Um gay que tem LGBTfobia, uma mulher com comportamento machista e por aí vai. Eterna desconstrução do ser.

Se NÃO fizer parte da minoria, entram aqui mais questões.

Caso haja alguém que represente o grupo do qual está falando, automaticamente você entra como ouvinte, presta atenção no que a pessoa tem a dizer.

Caso você realmente tenha algo a acrescentar, fale, desde que não ofenda os presentes. Expresse sua visão, sempre respeitando a fala da minoria. Mas se não tiver nenhum representante naquele momento, tenha ainda mais cuidado com o que quer falar.

NÃO FALE se não tiver uma base do assunto, ou se simplesmente sua fala ofender alguém, mesmo que não seja sua intenção. Esteja sempre aberto a ouvir. Nesses dois casos, o lugar de fala não te pertence e bola pra frente, haverão outras oportunidades para discutir o assunto.

Você tem base no assunto, estudou, aprofundou e acompanhou relatos de alguém que pertence à minoria? FALE. Fale com a experiência de quem entende, mas não necessariamente de quem se acha desconstruidão porque levanta bandeira, e muito menos como se tivesse vivido na pele. Mas esclareça, na medida do possível, de acordo com seu conhecimento e embasamento.

E mais uma vez: ouça, converse, questione-se e entenda seu lugar na sociedade.