Publicado: 17.04.17

Published: 04.17.17

Acalmem os ânimos. Em 2017 nós podemos até não ter chegado na Era Futurista dos Jetsons, com roupas inteiramente prateadas e prestadores de serviços 100% robotizados.  Mas estamos caminhando para um feito muito mais interessante na Era da economia criativa: qualidade > quantidade na prática. De verdade.

O que é economia criativa? É simplesmente um modelo de negócios que tange à indústria criativa, baseada em bens e serviços criativos. Para se encaixar nesse ambiente, é preciso gerar valor, dinheiro, bufunfa. São bens intangíveis, que rendem grana, seja o profissional músico, artista, publicitário, jornalista, empreendedor de startup, programador, produtores de vídeo, influenciadores. Sim, vamos falar de influenciadores.

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@violetaultra on Instagram

Infelizmente existe uma crise de reconhecimento por parte das pessoas em relação a muitos desses profissionais, uma falta de levar a sério o trabalho criativo, por acharem facilmente substituível. Ledo engano, meus caros. Algumas marcas com o olhar mais lapidado vêm entendendo e contratando serviços intelectuais para trabalhos realmente significativos.

As blogueiras tiveram o seu estouro no começo da década. Movimentaram eventos, e-commerces, lançamentos, mostraram seu estilo de vida desejável através da plataforma. Com o passar dos anos, algumas desistiram, outras viraram YouTubers, outras mais decidiram deixar o conteúdo mais robusto e interessante em outras plataformas. O que ainda une esse nicho de profissionais, é a fluidez no modo como conduzem o trabalho e a capacidade de influenciar seus seguidores.

Nunca se usou tanto o Instagram como ferramenta para ecoar vozes: seja na produção de conteúdo, na postagem de fotos altamente produzidas, na divulgação de um produto ou serviço, na veiculação de campanhas segmentadas, em vídeos chamativos e bem editados. Ponto para a economia criativa. Se em janeiro de 2013, o número de usuários ativos era de 90 milhões, em dezembro de 2016 esse número ultrapassou 600 milhões. Principalmente depois que Mark Zuckerberg colou na prova de stories em 24 horas promoveu a função stories na rede social.

O campo social para os influenciadores foi muito bem montado, para que possam se promover quase que como uma marca pessoal. Mas precisamos confessar que não esperávamos uma transformação tão intensa na qualidade do diálogo desenvolvido com o público. O que não necessariamente corresponde ao número de seguidores que um influenciador/ Instagrammer possui.

A cultura do conteúdo é tão potente, diversa, pulverizada e segmentada em sub-sub-nichos, que hoje vivemos o auge dos micro-influenciadores. Um cenário pra ficar bastante de olho. São geralmente usuários do Instagram, que possuem de mil e 10 mil seguidores, e que estão transformando genuinamente o modo como se comunicam com seu público sobre marcas. São pessoas comuns, que impulsionam uma cultura digital mais atrativa, despretensiosa. O diálogo feito por essa galera é real, consistente, exatamente por serem indivíduos reais, gente como a gente, se tornando fontes confiáveis no conteúdo que produzem, nos mais variados segmentos.

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O que mais chamou nossa atenção foi o fato de não só grandes marcas participarem dessa “revolução” no mundo digital. As pequenas marcas, que, por serem criadas por empreendedores também pertencentes ao universo dessa nova Era, se empenham no fomento da economia criativa. Entendem que crescimento é diferente de ser grande em tamanho, e por isso, entendem e respeitam o esforço intelectual de um trabalho criativo, se mantendo low-profile. O apresentador Caio Braz fez suas considerações e reflexões sobre esse comportamento, apontando alguns micro-influencers atuais, que formam opinião dentro do nicho que atuam, você pode ver aqui e aqui.

A HelloSociety é uma agência que conecta marcas com influenciadores para campanhas específicas, e fizeram um estudo intrigante pra confirmar o poder dos micro-influenciadores. Eles produzem uma fala consistente, autêntica, com profundidade no assunto. Estabelecem conexões mais verdadeiras, diálogos reais. Por isso, geralmente entregam, em média, um engajamento 60% maior que de influenciadores com mais de 30 mil seguidores. E são 6.7x mais eficientes por engajamento que influencers com um grande número de seguidores.

@ever___ on Instagram

Assim, podemos entender que milhares, milhões de seguidores, não necessariamente significam uma campanha mais efetiva ou uma estratégia de comunicação assertiva. A premissa não muda, nunca mudou. É necessário ouvir a marca. Dar as nossas sugestões, mas antes de tudo, entender o que ela quer para si: altas impressões feitas por digital influencers, mas não obrigatoriamente ótimos resultados ou um bom conteúdo criado por vários micro-influenciadores, gerando uma grande rede em audiência?

De qualquer forma, não podemos jamais generalizar o serviço de um criativo. É preciso estudar, conhecer o nicho que a marca atua e escolher bem o influenciador, caso seja a estratégia. Entender o universo que ela representa e o que ela pode acrescentar para o público. Ficar de olho no comportamento das pessoas, nas tendências, no que surge nas ruas. É perceber que tamanho não é documento, e sim, a qualidade criativa com bons resultados desse trampo. E ainda acham que esses profissionais todos “brincam de Internet”, é mole?