Publicado: 14.02.17

Published: 02.14.17

A comunicação tem um leque de possibilidades para que os comunicadores possam passar sua mensagem. Existem os que seguem um estilo mais cool, mais power, os que tocam lá no coração e fazem escorrer uma lagriminha, e aqueles que querem tirar uma grande risada do público. Mas atenção: qual a intenção real por trás da risadinha? Ser realmente divertido ou uma marca que tem o tom de disfarçar deboche com piada?

Criar peças de comunicação exige uma linha de raciocínio inteligente para ser executada da forma mais bela e coerente possível, trazer resultados positivos, e, quem sabe, se tornar memorável. Calafrios e expectativas!

Todos nós queremos fazer trabalhos fodas e relevantes. Porém lembremos: o que era relevante 5 anos atrás, semana passada, ontem, pode não ser mais hoje. Então, sejamos cientes e conscientes do que estamos criando e comunicando!

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Mas e agora? Quem poderá nos ajudar?

Vamos nos ajudar todos juntos. O humor e os toques de ironia, infâmia e sarcasmo dos anos 80/90/00 eram completamente diferentes aos de 2017. A começar com figurino e roteiro, que fazia a TV da época ser completamente sem limites. Lembra da TV Pirata, Sai de Baixo, Casseta & Planeta e A Praça é Nossa? Grandes referências da época, mas que hoje não se encaixam no tom. E sim, precisamos sempre entender o momento atual. Referências, cenários, estéticas, lugares de fala e os diversos movimentos vigentes. São outros comportamentos, outra efervescência, outro mindset.

Não vamos nos esquecer dos comerciais! Ah, os comerciais… veja você mesmo o que estava passando na TV há 17 anos e tire suas próprias conclusões. Lembra do Tio da Sukita? Pois bem, será que isso funciona até hoje? Nós acreditamos que não. Até porque, se fosse veiculado, o CONAR teria bastante trabalho pra atender todas as notificações.

Assim como teve a famigerada campanha “Papelzinho”, do Guaraná Antarctica em 2014, com o Neymar fazendo grandes piadinhas com os amigos estrangeiros. E no mesmo ano, também teve aquela campanha de Natal do Chester Perdigão, “Isabel estragou o Natal”, que teve uma enxurrada de críticas dos consumidores pelas redes sociais. Por supuesto.

Nós, brasileiros, temos a malemolência de provocar reações únicas com a nossa criação, desafio real ao dar vida às ideias. Uma missão importante ao comunicar com gente tão diversa, e para isso, nós temos que ler e ouvir o que está acontecendo à nossa volta (já falamos sobre lugar de fala aqui, lembra?). E como seres muito bem humorados que somos, a estratégia de usar nosso espírito de graça pode ser fértil, mas deve ser bem pensada. O humor é algo que prende e tem grande apelo, ainda que digam que piada não é para refletir, hoje existe a percepção do que é, de fato, engraçado, do pega mal, ou que, simplesmente, é um absurdo mesmo.

Usar o humor depende 100% do intuito e pode ser um tiro no próprio pé, porque humor tem limite na propaganda sim (e na vida também!). A partir do momento em que há depreciação ou reforço de estereótipos isso é um sinal de PARE. Apenas mate a ideia, por mais engraçadona que você ache e a marca aprove. O mínimo que se espera de um profissional de comunicação é que tenha empatia com o público, que faça o exercício de uma criação human-centered. Ou seja, o limite da piada vai até onde começa o entendimento das necessidade das pessoas, com senso de responsabilidade social e que não inferiorize grupos ou indivíduos em detrimento de outros.

O poder do discurso na comunicação é forte o bastante para perpetuar ideias, sendo elas positivas ou não. Devemos estar atentos aos detalhes, aos acontecimentos ao nosso redor e às pessoas fora das nossas bolhas. Em certos momentos nos falta a mentalidade, ou só uma opinião de fora para apontar aquela vírgula mal empregada, que pode acabar derrubando a campanha. Comece parando de verbalizar que “o mundo está ficando cada vez mais chato”. Se seu senso de humor é baseado no detrimento de outros, pense, repense, se questione e, principalmente, se coloque no lugar da outra pessoa.